Vila Natal Óbidos

Durante todo o mês de Dezembro foram raros os dias em que não fiz de Duende Carteira. Assim que a interpretei no primeiro dia foi-me designado esse posto de imediato, devido à minha entrega à personagem e a cada criança que passava por mim. A Lulu era uma duende animada, sempre a cantar e dançar, carinhosa, pois estava sempre a dar abraços e muito sensível. Com o improviso, criei diversas dinâmicas, como pedir ajuda aos mais novos para levantarem a minha gigante sacola, pois os professores de magia tinham lançado um feitiço para me provocarem, sem maldade, mas depois não o souberam reverter, ou como falar com os animais reais ou falsos espalhados pelo recinto e desabafar ou reclamar com eles, como na situação das pombas, em que eu tinha sugerido ao Pai Natal dar-lhes a responsabilidade de entregar as cartas mas elas falharam redondamente nessa missão, adicionando desfechos cómicos.

Ao longo da feira tive crianças a escrever e a ler cartas de pedidos de Natal, alguns mais comuns, e outros mais comoventes. Nesses momentos tornava-me uma duende ouvinte e conselheira, até onde sentisse que fosse necessário e que o outro se sentisse confortável para partilhar.

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